Muito se fala dos benefícios da utilização da computação em nuvem, mas quais são os pontos de atenção associados a essa escolha?

Ouço com muita frequência dúvidas associadas a esse tema e achei válido escrever aqui para ajudar a esclarecer. Considero que onde há dúvidas, há também um caminho para boas conversas e descobertas! 🙂

 

Computação em nuvem, muito falada porém pouco conhecida

quais os principais pontos de atencao ao utilizar computacao em nuvem

Em nossa vida conectada, surgem novas informações, novos memes, novos jargões. Isso tudo é muito bom. O risco que existe é de sairmos repetindo expressões sem saber ao certo do que se trata. Computação em nuvem se parece um desses termos que caiu no vocabulário popular, mas nem todos sabem o que significa de fato.

Um dia no metrô ouvi uma conversa informal de duas pessoas desconhecidas ao meu lado falando que estavam implantando computação em nuvem na empresa em que trabalhavam. Até que uma delas perguntou:— O que é nuvem, afinal de contas? O amigo tentou explicar de forma superficial e eu ali do lado, confesso que quase me intrometi – que coisa feia! Sorte que eu não falei nada e apenas guardei para mim. Metrô cheio é assim, você fala para um, mas sempre tem alguém colado que acaba ouvindo também….

Daí eu percebi que de fato, computação em nuvem é um termo muito falado entre as pessoas, mas pouco conhecido.

 

O que é computação em nuvem?

quais os principais pontos de atencao ao utilizar computacao em nuvem

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A computação em nuvem é considerada uma revolução na arquitetura de computadores, softwares e ferramentas de desenvolvimento. Além de ser uma mudança na forma como armazenamos, distribuímos e consumimos informação.

Não se trata de uma nova tecnologia em si, mas de um jeito diferente de disponibilizar recursos do computador.

Em termos práticos, a computação em nuvem disponibiliza servidores e recursos na internet que podem ser compartilhados.  Em outras palavras, isso significa que uma empresa não precisa sempre ter um servidor dentro da empresa. Ela pode contratar, como num modelo de um aluguel, por exemplo, um espaço compartilhado de um servidor, que fica fora da empresa e está disponível na internet, ou seja na nuvem.

Dependendo da forma de contratação dos serviços na nuvem, a responsabilidade pela segurança, backup, manutenção e performance desses servidores ou aplicações, é toda do fornecedor. Você como cliente não precisa se preocupar com nenhuma dessas atividades. Os ganhos vão desde redução de custos, agilidade na utilização de novas ferramentas/sistemas, escalabilidade (aumento de espaço no servidor quando preciso), além de ganhar a comodidade de acessar via internet sistemas ou ferramentas sem que estejam instaladas no seu computador.

 

Essa modalidade de contratação, como um “aluguel” existe tanto para hardware, quanto para software e ferramentas. Algumas das modalidades são:

  • SAAS (software as a service, ou em português: software como serviço),
  • DAAS (database as a service, ou em português: banco de dados como serviço),
  • TAAS (Testing as a service, ou em português: teste como serviço),
  • entre outros.

Computação em nuvem possui utilidades bem amplas!

 

Por que o nome computação em nuvem?

O termo computação em nuvem surgiu em decorrência de uma simbologia universal utilizada em arquitetura de rede, em que as redes e a internet são identificadas com um desenho de uma nuvem. Trata-se de uma padronização existente na computação.

 

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Como a computação na nuvem funciona através da internet, surgiu o termo, em função da nuvem ser uma simbologia da internet.

Cabe ressaltar que existem diferenças entre a internet e a computação em nuvem. Basicamente a internet disponibiliza acesso livre na web. Já a computação em nuvem, tipicamente é de propriedade privada, oferece recursos somente aos usuários autorizados, entre outras coisas.

Mas afinal, utilizar computação em nuvem é sempre sinônimo de boa escolha?

 

Quais os principais pontos de atenção ao utilizar computação em nuvem?

A utilização de computação em nuvem possui alguns pontos de atenção. Listei os 4 principais problemas e quais as recomendações para contornar para cada um deles.

 

1. Não permitir cadastro off-line

Ter todas as informações on-line é uma comodidade que todos gostam e é indiscutível. Porém, ter a flexibilidade do sistema também funcionar de forma off-line, ou seja, mesmo que a internet não esteja disponível, é uma garantia de que sua empresa não vai parar, caso a internet cair. Um exemplo disso é o que o Google Drive disponibiliza. É possível editar dados no Google Drive e fazer a sincronização com o que está na nuvem posteriormente.

Esse recurso de funcionamento off-line é muito útil principalmente quando a sua internet é instável ou quando a atividade a ser utilizada na nuvem é o coração do seu negócio.

A recomendação é confirmar a existência dessa funcionalidade, antes de contratar uma solução na nuvem. Contar com esse recurso, pode ser um diferencial que garanta o sucesso do seu negócio.

 

2. Problemas na internet

A internet é o meio necessário para acessar, atualizar e compartilhar as informações na computação na nuvem. Muitas vezes, o fornecedor foca na explicação dos ganhos a serem obtidos com a solução adquirida, porém os pré-requisitos são pouco explorados. E a internet é um desses pré-requisitos obrigatórios.

É preciso avaliar tanto a existência de instabilidades na internet (lentidão e quedas), quanto a capacidade do link de internet adequado para o bom funcionamento da solução a ser contratada.

Lembrando que é preciso conhecer qual a sua velocidade real da internet, visto que há uma oscilação entre a capacidade da internet contratada e a que é entregue. Empresas como a Copel, fazem esses tipos de testes online. Uma boa recomendação é avaliar a possibilidade da sua empresa contratar internet com link dedicado, assim a estabilidade da internet será garantida em contrato e você não terá problemas com soluções na nuvem.

 

3. Segurança e privacidade

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Ao decidir por utilizar um sistema que funciona na nuvem, por exemplo, é recomendado confirmar o tipo de nuvem utilizado pelo fornecedor. Existem 3 tipos de nuvem e cada uma delas possui recomendações para cada negócio e necessidade.

A nuvem mais econômica é a nuvem pública, como Google, Azure, Amazon, etc. Nuvem pública utiliza servidores divididos com várias outras empresas/pessoas, logo é preciso consultar as políticas de segurança da nuvem pública para avaliar se o seu negócio estará com a proteção adequada. O Netflix é um ótimo exemplo de serviço que utiliza rede pública e é um sucesso.

Em contrapartida, serviços como bancos, financeiras e até da área médica, são exemplos de negócios que precisam de segurança elevada, e a nuvem pública ainda não é o ideal. Nesses casos, a opção costuma ser pela nuvem privada, em que o servidor é exclusivo apenas para a sua empresa. Também há a nuvem híbrida que mescla a utilização entre a nuvem pública e a privada. É uma opção que oferece segurança elevada e valores mais acessíveis que a nuvem privada.

Note que existe segurança em todos os tipos de nuvem, mas é preciso avaliar o nível adequado para o seu negócio,

Se você é um pouco descrente quanto a proteção existente nas nuvens e considera que os bancos são parâmetros de cuidado com privacidade e segurança, então você já pode adotar a nuvem no seu negócio. Pois o Itaú já está utilizando nuvem privada e defende que em algum momento, os bancos também utilizarão as nuvens públicas.

 

 

4. Ignorar o local geográfico da nuvem

Alguns países possuem leis e normas para proteção de dados, o que pode implicar em problemas para exportação de informações cadastradas no sistema, por exemplo. Nos países da União Européia  há uma proibição de exportar dados pessoais da União Europeia à países fora do Espaço Econômico Europeu, com exceção apenas para países destinos que estejam aderentes a algumas condições.

Já na China, é permitido que o governo tenha acesso ilimitado aos dados das nuvens, mesmo que sejam confidenciais. Sem contar que o uso de criptografia pode ser limitado ou até proibido por lá!

A recomendação é verificar o país de localização do data center da nuvem e suas regulamentações locais aplicáveis à nuvem. Você não precisa associar que uma boa escolha requer impreterivelmente que o data center esteja no Brasil. É preciso apenas avaliar as leis vigentes do país. Para facilitar, clique aqui e consulte uma comparação global das proibições/permissões da nuvem de cada país.

Atualmente no Brasil, muita coisa está em discussão sobre esse assunto. Neste ano tivemos a regulamentação do Marco Civil da Internet, que trás alguns reflexos para a nuvem. Também está em discussão o Projeto de Lei sobre a Proteção dos Dados Pessoais. Diante disso tudo, sabemos que as regulamentações virão e tendem a ajudar, visto que muitos países já estão adiantados nesse assunto.

 

Conclusão

A expressão computação em nuvem ou computação nas nuvens está inserida no nosso cotidiano e não é à toa. Trata-se de um recurso de tecnologia muito útil, que veio para ficar e cada vez ganha mais espaço. Para usufruir o melhor que a computação em nuvem tem para te oferecer, o melhor caminho é eliminar as suas nuvens de dúvidas e avaliar os pontos de atenção para acertar na decisão!

 

O que você achou? Suas dúvidas foram esclarecidas?

Você já enfrentou problemas que não estão descritos aqui? Fique à vontade em contribuir com a sua experiência, dúvida, opinião ou crítica.

Você tem um papel importante nesse projeto de aproximar as tecnologias das pequenas empresas! Esse espaço é nosso!

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